Ontem dei comigo a pensar sobre um assunto que me tem surgido, pelas mais variadas razões, repetidas vezes ao longo destes últimos anos: as relações amorosas.
O que é que nos faz apaixonar? Podem ser as mais variadas razões… o amor está longe de ser uma ciência exacta. As variáveis são imensas e tão subtis que não há duas iguais. Quantos de nós não se apaixonaram por um olhar, uma maneira de andar, um sorriso ou por algum traço de personalidade? Aquilo que nos atrai para outra pessoa pode ser tão simplesmente uma característica física, algo na sua personalidade que nos é apelativo ou ser, como às vezes costumo dizer, uma questão de “pele”. Pode ser até o facto de estarmos carentes e necessitarmos desesperadamente de alguém que nos faça sentir amados. Uma coisa é certa: existe, quase sempre, a tendência para se acreditar que encontrámos alguém “perfeito” para nós.
Mas, afinal o que procuramos numa relação? Basicamente, aquilo que se costuma designar como encontrar a cara-metade. Ou seja, encontrar alguém que tenha algo a ver connosco, seja porque é parecido ou porque é, precisamente, o nosso oposto mas nos complementa. Alguém com quem possamos nos abrir e que nos aceite como somos. Alguns procuram alguém com quem dividir as pequenas coisas do dia-a-dia, outros apenas a satisfação de desejos mais carnais. Os mais práticos, procuram objectivamente, a satisfação de outras necessidades: - Elas procuram alguém que pague as despesas ou que lhes proporcione uma vida mais desafogada, um pai para os filhos ou apenas alguém que lhes faça companhia. - Eles procuram alguém que cuide deles, da casa, dos filhos e que, de preferência, também os possa satisfazer na cama.
O que nos faz manter uma relação? Basicamente sentirmo-nos bem quando estamos com o nosso companheiro. Sentirmo-nos amados, apreciados, desejados, respeitados… Sentir que gostam de nós por aquilo que somos e que, apesar de saberem que temos defeitos, gostam de nós mesmo assim. Em suma, estarmos felizes Claro que isto é o desejável. O que deveria acontecer. Muitas vezes, mais do que pensamos ou mesmo admitimos, a realidade é bem diferente… Estamos com alguém pelo simples facto de não querermos estar sozinhos, ou porque temos medo de o estar. Às vezes temos medo de não encontrar outro alguém, que seja melhor do que o companheiro actual ou falta-nos a paciência para começar tudo de novo, especialmente em relações de longa duração. Acabamos por nos acomodar. Frequentemente temos a ilusão de que a outra pessoa vai mudar e, então, tudo vai correr melhor. Às vezes protelamos tomar uma decisão por termos medo do que a outra pessoa poderá tentar fazer… desde a tentativa de suicídio, à violência física, passando por variadas formas de vingança. Em casos mais complicados temos a questão dos filhos e aí existem outro tipo de questões a ponderar, inclusive legais e monetárias, que podem tornar uma separação bastante difícil.
Há um sem número de possibilidades e, em todas, elas existe uma questão básica a ser colocada: “Somos felizes assim?” Muitas vezes somos levados a dizer que sim, sem analisar a questão a fundo, simplesmente porque temos medo de ver as coisas como elas são. A verdade pode ser demasiado incómoda ou dolorosa mas às vezes é tão evidente que não nos deixa margem para dúvidas apesar de nos recusamos a admiti-la. Em todo o caso, é sempre bom fazermos uma introspecção para compreendermos o que está bem e o que está errado…
Mas, como é que sabemos se uma relação está condenada? Podemos sempre aprender algo com cada relação, com os erros que vamos cometendo, mas principalmente não há que ter medo da verdade… Se tivermos coragem de analisar a nossa própria situação (fácil é analisar a dos outros) e descobrirmos que, apesar de todos os esforços, não há maneira de haver mudanças satisfatórias para que ambos sejam felizes, então o único caminho é a separação. Quanto mais cedo melhor e antes que se entre numa rotina tal que seja complicado cada um seguir o seu caminho. Isto porque quando duas pessoas discutem, sempre pelas mesmas razões, sem o conseguir evitar, e insistindo em opiniões divergentes, as hipóteses de se chegar a uma solução pacífica são quase nulas. A não ser que um dos dois se “anule” em favor do outro e isso, convenhamos, não faz ninguém feliz. É obvio que uma pessoa que não nos dá valor nunca nos vai respeitar, assim como outra que usa de força física para fazer valer o seu ponto de vista nunca vai passar a nos respeitar mais por isso.
Mas então como podemos avaliar se vale a pena manter uma relação? Às vezes nem mesmo os filhos devem ser uma razão para manter uma relação falhada. Ninguém sai a ganhar e os filhos crescem numa casa onde os progenitores não se entendem, apenas se suportam, ou estão juntos por “questões práticas”… As crianças não são parvas e sentem o que se passa… e, acreditem, não são mais felizes assim. Existem muitas maneiras de duas pessoas civilizadas manterem uma relação cordial e educarem os filhos em comum, apesar de estarem em casas separadas, basta centrarem-se no bem-estar dos filhos. É claro que cada um sabe o que é capaz de suportar … Muitos preferem abdicar de refazer a sua vida amorosa, em prol de poderem acompanhar mais de perto o crescimento dos filhos, coisa que não fariam saindo de casa. Estão no seu direito. Isto é, de facto, uma equação com muitas variáveis e cada um sabe o que é que o faz mais feliz. Mas, basicamente, só vale a pena mantermos uma relação quando as duas partes fazem, de facto, um esforço para que o outro seja feliz.
Quando compreendemos que não somos felizes e que a relação está perdida, o melhor é terminar tudo o mais depressa possível Quanto mais tempo prolongarmos uma relação condenada, maior a possibilidade de os dois saírem de costas voltadas e maior a possibilidade de ambos saírem magoados. É tão simples quanto isso. Pode ser fácil de dizer mas a verdade é que temos que ser objectivos e encarar o touro de frente. Para quê prolongar as discussões e a agonia de não ver mudanças ou a infelicidade de achar que merecemos algo diferente? Afinal, quando menos esperamos pode aparecer alguém que, de facto, pode nos fazer feliz! Existe, de facto, uma metade para cada laranja! ;)
Mas não pensem que eu sou assim tão fria que analise as minhas relações à lupa e que, só porque encontro algo errado, parto para outra. Pelo contrário. Tendo a firme convicção de que não há relações perfeitas, compreendi que tenho que me esforçar, cada dia, para tornar o meu companheiro feliz Nem sempre fui assim… Apesar de me esforçar (admito que nem sempre da melhor maneira) e de achar que bastava isso para que as coisas dessem certo, tinha a ilusão que as coisas podiam ser perfeitas. Nunca o são. Podemos é esforçarmo-nos para que as coisas corram o melhor possível, encontrando soluções para que ambos estejam felizes. E o diálogo é uma condição essencial. Deixem-se de tretas do estilo “será que ele me vai achar esquisita/o?” ou “será que me vai achar paranóica/o?” ou “há certas coisas que não se contam a ninguém”... Claro que ninguém é obrigado a “despejar” tudo o que pensa em cima da sua cara-metade mas, porquê esconder? Não será muito melhor ter a possibilidade de poder confiar no outro e de sermos compreendidos? Temos o direito de ser amados por aquilo que somos! Não é obrigatório ter os mesmos pontos de vista, temos é que aprender a defender os nossos e a aceitar que os do outro podem ser diferentes! Uma relação cresce imenso com esse diálogo. Há que investir, basicamente, numa entrega incondicional e, acima de tudo, no respeito mútuo. Manter uma relação satisfatória dá trabalho… a boa noticia é que quanto mais nos esforçamos, mas fácil se torna, maior é a sintonia. :)
Já me alonguei mais do que previa… a intenção era partilhar aquilo que tenho observado, mas gostava também de saber os vossos pontos de vista… de saber o que é que pensam sobre o assunto… pode ser? ;) |